sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

França – Queijos e vinhos II



Veja também outros posts com o tema “França”: ...porque não somos de ferro!!!, “O golpe do anel!”, Cadeados da paixão!” e Queijos e vinhos.



Se comprar um bom vinho não é problema para a maioria das pessoas, embrenhar no mundo dos queijos é bem mais complicado.

Por aqui, temos os nossos tradicionais queijos brasileiros: minas, coalho, os diversos tipos de requeijão. Já até incorporamos em nossa culinária alguns queijos “importados” pelos nossos imigrantes: prato, provolone, parmesão, reino, gorgonzola. Até conhecemos o brie, o camembert e ouvimos falar que um tal de roquefort se parece com o gorgonzola.

Mas escolher um queijo entre dezenas que estão disponíveis na vitrina de um supermercado francês, é tarefa nada fácil.

Típica vitrine de queijo em um supermercado francês. E aí, qual escolher?!

Eu adoooooro queijo fedido. Para mim, quanto mais fedido, melhor!

Estão porque não começar por um Munster? O Munster é um queijo da região da Alsácia de sabor bem marcante e forte. O cheiro não fica atrás. Experimente colocar um no carro, sair para um passeio de meia hora e voltar. Duvido que consiga dirigir com a janela fechada! Ah, e se riscar um fósforo é capaz do carro explodir. Seu aroma é tão forte que lá em casa seu apelido é MONSTER (monstro, em inglês)

Munster - um dos meus queijos favoritos!
O cheiro pode até ser algo “monstruoso”, mas seu sabor simplesmente é divinamente apaixonante. Segundo a literatura, é um queijo que vai bem com um bom vinho Gewürztraminer, um Pinot Noir ou vinhos mais encorpados como um Châteuneuf-du-Pape. Mas também desce redondinho com uma bela cerveja!
Munster - Não se amedronte com o cheiro!!!

Próximo queijo da lista? Sugiro experimentar um Bleu d'Auvergne. Pode até parecer com um Roquefort, mas por ser feito com leite de vaca, ao invés de leite de ovelha, é mais cremoso e seu sabor bem mais marcante.
Bleu d'Auvergne tem sabor bem distinto do Roquefort


É um queijo que vai bem com vinhos doces como Porto ou Sauternes, assim como vinhos mais encorpados como o Côtes-du-Rhône. Nunca experimentei, mas tem gente que sugere comê-lo junto com uma fatia de maçã, nozes ou cogumelos frescos.
Bleu d'Auvergne, tem sabor parecido, mas mais marcante que o gorgonzola

Uma outra opção de queijo forte tanto no aroma como no sabor é o Petit Livarot, proveniente da cidade de mesmo nome da Normandia vem enrolado em 5 bandas de folha ou de papel, que evitam que o queijo simplesmente desmonte durante a fase de maturação.
Petit Livarot tem como característica essas bandas de sustentação

De sabor bem picante e bem cremoso, vai quase derreter quando estiver na temperatura ambiente. É um dos queijos mais populares da França e vai bem com um vinho mais adocicado ou um tinto mais leve.
Petit Livarot - picante e cremoso

Dessa vez comentamos três deliciosos queijos de sabores bem fortes. Nos próximos posts a gente fala dos queijos de sabor mediano e dos suaves. Aguarde!
 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Salto do Itiquira – Um Zumbi na Trilha do Indaiá

Veja também: "Aventura - A Trilha do Salto de Itiquira"


Acordei hoje sentindo músculo que eu nem sabia que existia. Tá TUDO doído! Tô literalmente moído!!! Mas MOÍDO de uma forma que há muito tempo eu não me sentia!!!


Qual a causa?! Uma aventura na Trilha do Indaiá.
A Trilha do Indaiá, a uns 75km do centro de Brasília
Se você é daqui de Brasília, provavelmente já visitou o Salto do Itiquira, na cidade de Formosa, GO. Uma queda belíssima de 168m de altura. Visitar Itiquira por baixo é fichinha. Você vai por asfalto até um baita estacionamento, início de uma trilha pavimentada de 15 minutos até o poço, que fica na base da cachoeira.

Duro mesmo, principalmente para alguém que está fora de forma como eu, é fazer a Trilha do Indaiá!
Cachoeira bem no início da trilha
Dê uma olhada no mapa acima e imagine você mesmo o quanto se caminha até chegar à parte de cima do Salto do Itiquira. Tem cerca de 4km de trilha, mas pelo tamanho da língua que fui deixando pelo meio do caminho, foi para mim uma maratona e meia!!!
Primeira cachoeira e travessia do rio
A trilha começa perto da fonte onde a água mineral Indaiá é captada. Dali até a beirada do rio é uma bela descida. E como todos sabemos que a água de um rio corre por gravidade, a trilha até o Salto de Itiquira é morro abaixo. Ou melhor, morro abaixo, morro acima, morro abaixo, morro acima... Afinal, a trilha segue o relevo existente e tem um desnível de quase 200m. Imaginou um prédio de 70 andares? Pois é quase isso!
A paisagem é belissima!
Cara, haja perna, uma vez que a trilha (como toda boa trilha) não é nem um pouquinho ergométrica! Mas vale a pena o sacrifício, pois a beleza das corredeiras e cachoeiras é sensacional!
Segunda cachoeira
Antes da esticada final até a beira do Salto do Itiquira, fizemos uma merecida parada em um poço, onde tomamos um belo banho de rio e comemos para repor as energias gastas no percurso.

Repor?! Bem, acho que meu estômago esqueceu-se de avisar pras minhas pobres pernas, que havia um reforço energético. As coitadas já estavam prá lá de Bagdá!
Visão frontal do Salto do Itiquira
Ignorei as dores e segui em frente. A visão que se tem do alto da queda é impressionante. Tudo é como formiguinha lá em baixo. Se alguém escorregar e cair, certamente vai ter tempo bastante para bater asas e aprender a voar!
Flor do cerrado - Turnera sp.
Mas de cachoeira mesmo não se vê absolutamente NADA! Solução? “Simples”! Basta caminhar mais um quilômetro de trilha, subindo mais uns 30 metros, para depois descer outros 80 metros (informações tiradas do Google Earth!), para curtir a estonteante visão frontal do Salto do Itiquira...
Flor do cerrado - Pavonia sp.
Isso, é claro, depois de uns 15 minutos encostado em uma árvore, tentando recuperar o fôlego, uma vez que o meu pulmão tinha ficado pelo meio do caminho.
Flor do cerrado - Cambessedesia cf. hilariana
Você tá rindo da minha desgraça?! Pois lembre-se que esse foi o caminho de IDA!!! Ainda estava faltando o caminho e volta! Ou seja, o infeliz aqui ainda tinha que percorrer 5km de trilha, vencendo o desnível de quase 300m morro acima. Ou melhor: morro acima, morro abaixo, morro acima, morro...
Flor do cerrado - Eriosema sp.


Juro que tive vontade de pedir resgate via helicóptero, mas não tinha sinal no meu celular da TIM (Aaaaarghhh!!). Deu vontade de soltar um PUTAQUISPARIU, mas a garganta seca e a absoluta falta de um pulmão me impediu de fazê-lo!
Flor do cerrado - Dalechampia caperonioides
O jeito foi ditar o ritmo da volta dentro das forças que ainda restavam. Aproveitei para ir tirando fotos das belas flores do cerrado que encontrava pelo caminho.
Flor do cerrado - Microlicia sp.
Ah, você pensa que foi só eu que abriu o bico? Nananinaná! Veja o estado que ficou a minha botina Timberland!
Era uma vez uma botina Timberland... JÁ ERA!!!
Cheguei no estacionamento feito um zumbi, no limite da exaustão. Se não tive um piripaco pelo caminho, certamente não terei um tão cedo!
Flor do cerrado - não identificada. Alguma Malvacea (Pavonia ou Peltaea)
Apesar do sacrifício, a aventura valeu a pena e rendeu boas fotos! Mas não me candidato para outra aventura desse naipe tão cedo!
Flor do cerrado - Rhynchospora sp.

PS1: Ô Dorival, chiar da caminhada até o Delicate Arch, no Arches National Park, EUA, é reclamar de barriga cheia! Encarar 2km de trilha e 100m de desnível é pinto perto da Trilha do Indaiá!!! Eu era feliz e não sabia! Kkkkkk
Flor do cerrado - não identificada. Alguma Amaranthaceae
PS2: Resumo do dia – dois sanduíches, 1/3 de pacote de biscoito Negresco, meia laranja, 1 maçã... e mais de QUATRO litros de água!!! E ainda perdi dois quilos!!
Flor do cerrado - Palicourea rigida
PS3: o meu muito obrigado ao amigo Bruno Walter, pesquisador da Embrapa, pela identificação das fotos das flores!

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

México: Cañón del Sumidero


Imagine um cânion estreito, onde as paredes verticais podem chegar a mais de 1000m de altura. Acrescente a possibilidade de um belíssimo passeio de barco onde você verá não apenas a beleza da geologia do cânion, mas também animais como jacarés, iguanas, pelicanos e garças. Junte a tudo isso a maior hidroelétrica do país e o fato de ali ser o local de um massacre inscrito nos livros de história mexicana.
Entrada do Cañón del Sumidero
Pois esse lugar de beleza indescritível existe, se chama Cañón del Sumidero e fica no estado mexicano de Chiapas.

A história do lugar começa em 1527, durante a conquista do México. A expedição espanhola obrigou os indígenas chiapanecos a pagar impostos. Por se recusarem, foram atacados e, fugindo dos espanhóis, preferiram saltar dos penhascos a serem presos.

Em 1527 houve um massacre de índígenas chiapanecos

Apesar de sua beleza, o turismo na região era muito limitado até os anos 70, uma vez que o Rio Grijalva se transformava em corredeiras ao passar pelo cânion, impedindo a navegação.

Com a construção da represa de Chicoasén, a maior do México, as corredeiras foram submersas e o trecho do cânion se tornou navegável, incrementando o turismo! A usina de Chicoasén pode até ser pequena para os padrões brasileiros, mas é uma das mais altas hidroelétricas do mundo e sua construção marcou a engenharia mexicana.
Gerador em manutenção, na Usina Hidroelétrica de Chicoasén
Com todo o problema gerado pelos ataques dos guerrilheiros zapatistas na década de 90, impressiona o aparato de segurança. Ainda é forte a presença do exército na região, algo bem estranho para nós brasileiros. Mas como tínhamos os contatos certos, conseguimos entrar na usina e visitar os geradores e a casa de máquinas da hidroelétrica.
As paredes do cânion têm mais de 1000m de altura
O dia seguinte nosso passeio foi pelo cânion! Pegamos um barco em Chiapa de Corzo e percorremos os 13km do cânion. Algo indescritível! Verdadeiramente IMPRESSIONANTE!!!
A Árvore de Natal, linda formação rochosa
De todas as coisas que vimos, duas me impressionaram. A primeira, obviamente, são as altas paredes rochosas de mais de 1000m que ladeiam o rio Grijalva. A segunda é uma formação rochosa chamada de cachoeira “Árvore de Natal”.
Árvore de Natal vista de baixo
A beleza dessa cachoeira é simplesmente incrível!
 Os guias também mostram os animais da região: jacarés, iguanas, pelicanos, garças, macacos, águias... Somente olhos muito treinados para descobrir esses animais no meio da mata!
O "cocodrilo"
Iguana laranja
Não menos impressionante é ver o cânion por cima, de um dos cinco mirantes. Os mais belos são o La Coyota e o Atalaia. A visão do Atalaia é simplesmente de tirar o fôlego!

Em 1980 toda a região foi transformada em parque nacional e, obviamente, a entrada é paga, seja para os mirantes como no passeio de barco. E aí vai uma dica: se quiser economizar, faça o passeio de barco e a ida aos mirantes no mesmo dia. Se fizer em dias diferentes, como no nosso caso, vai ter que “morrer” em duas entradas.
A visão do mirador Atalaia
Seja como for, é um passeio imperdível. Um local indicado como uma das Novas 7 Maravilhas da Natureza! Vale a pena!!!