quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

México: Una buesta!!!


Veja também os demais posts da série “México”: “Día de Muertos”, “Chiapas”, “Mezcal tem gosto de festa...”, “Cañón del Sumidero”, “Dançando na Praça”, “O Cristo de Copoya”, "Um pouco de história I", "Ninho de Cobras" e "Isla Mujeres"

Depois de duas semanas perfeitas, onde estivemos sob os cuidados de nossos anfitriões mexicanos, em Tuxtla e San Cristóbal de las Casas, no estado de Chiapas, começamos nossa volta para a Cidade do México.
Mapa do México
Foi o primeiro dia em que estivemos sob o pacote preparado pela Five Tour (de Brasília) / Nascimento Turismo e sua representante mexicana. Infelizmente, o que aconteceu foi preocupante. Tivemos a mostra mais cabal de amadorismo e falta de respeito pelo cliente. Realmente um dia para se esquecer! Um dia completamente perdido nessa maravilhosa visita às terras mexicanas.

O pacote contratado foi longamente discutido conosco, os clientes, e não saiu nem um pouquinho barato. No entanto, esse dia foi o primeiro de uma série de furos, nunca a nosso favor, obviamente!
Catedral de San Cristóbal de las Casas
Ainda em Brasília, discutimos longamente com o representante da Five Tour, todo o nosso trajeto até a Cidade do México. 

Optamos por voltar de ônibus, para que pudéssemos conhecer as belezas locais: Oaxaca, Puebla, Taxco. O que ninguém, repito NINGUÉM, nos alertou era que o trecho San Cristóbal / Oaxaca, de cerca de 600km seria feito em uma estrada precária, onde não havia a menor infraestrutura de suporte ao viajante. E quando digo nenhuma, é NENHUMA mesmo!!!! Uma viagem no meio do NADA, numa das regiões mais pobres do México!
San Cristóbal de las Casas, Chiapas
Ora, se um cliente quer visitar um local onde há um despenhadeiro e pode correr risco de vida, o mínimo que se espera é que ele seja avisado dos riscos que corre. Obviamente não corremos risco de vida, mas NINGUÉM nos alertou sobre os problemas que iríamos enfrentar nessa viagem.

A estrada até que não tem buraco, mas é tão precária que deu saudades das rodovias brasileiras. Cada ultrapassagem era um parto! Imagine, levamos 13 horas e meia até conseguirmos chegar a Oaxaca, completamente estropiados. Uma média de menos de 45km/h para uns 600km, incluindo aí os tempos das paradas. Um trecho que poderia ter sido feito comodamente de avião, conforme nos alertaram em San Cristóbal!!!
Uma viagem pelo meio do NADA!
Mas, diria você, certamente o ônibus onde estávamos era grande e com banheiro a bordo, conforme o que nos foi prometido e combinado em Brasília, não é mesmo?! 

NANANINANÁ!!! Era um pequeno micro-ônibus onde se aboletaram os 16 brasileiros, o guia, o motorista ... e a bagagem!!! Ah, a bagagem! Quem conhece brasileiro conhece nossas bagagens... e, como nossas bagagens não couberam no bagageiro, boa parte dela foi entulhada no banco traseiro, incomodando os passageiros.

Banheiro a bordo?! Assim como o tamanho do ônibus contratado foi reduzido, também retiraram esse item do contrato!!!
O micro ônibus onde 16 brasileiros + guia + bagaaaaaagem se aboletaram!
Como profissionalismo passou longe, o guia e muito menos o motorista NUNCA tinham viajado por aquelas bandas e, como era de se esperar, se perderam! 

E aí, para desespero nosso, apelaram para um aparelhinho “eletrônico” moderníssimo chamado ZéPS. Não, não é GPS não! É ZéPS mesmo!!! E funciona assim: está perdido? Ponha a cabeça para fora do ônibus e pergunte pro primeiro Zé que passar, para onde que fica o caminho correto! E foram várias vezes que o ZéPS foi acionado durante a viagem.
Ah, quanto profissionalismo!
Em uma viagem de mais de 13 horas era de se esperar que estivesse prevista uma parada para almoço, concorda?! Pois não estava!!! Depois de nossos insistentes pedidos, começaram os telefonemas do guia à matriz, para saber onde haveria um restaurante MINIMAMENTE adequado, na medida que estávamos no meio do nada!

Pois o tal restaurante estava em uma cidade 15km atrás e tivemos que retornar. Sorte nossa que só retornamos 15km! Podia ser bem pior, concorda?! O restaurante era limpo, confortável e a comida simplesmente deliciosa! Mas, ou era esse restaurante ou teríamos que fazer jejum pelo resto da viagem!!!
Melhor "regar" no mato
Banheiro de estrada não é nenhuma Brastemp em nenhum país do terceiro mundo! Sabemos disso no Brasil e a coisa não foi diferente lá no México. Mas nada pode superar o “Sanitarios Públicos y Regaderas” da foto acima. Confesso que optei por ir “regar” o mato!

Resumindo, o primeiro dia de viagem foi, literalmente e em bom portunhol, “una buesta”!!!
Maior precariedade impossível!
O pior realmente foi esse dia, mas os tropeços e o desrespeito desse pacote turístico foram nos acompanhando até o retorno ao Brasil!

Anote aí e jamais esqueça para nunca cair na esparrela que caímos: FIVE TOUR / NASCIMENTO TURISMO! Essas duas, nem que me paguem eu não acredito ou contrato os serviços! E espero que você faça o mesmo!!!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Oeste dos EUA 2014 – Manzanar, uma vergonha americana

Veja também os demais posts da série “Oeste dos EUA- 2014”: Dia 0, “Começou torto!”, "Rota 66", "Navajo Nation", "Um lago ancestral" e "Pelas frestas do Arizona"

Ao preparar as minhas viagens, eu procuro fazer uma pesquisa bem detalhada dos lugares por onde vou passar. Ou seja, começo a “viajar” bem antes da viagem começar. Acho isso fantástico e envolvente.
Manzanar fica na Califórnia, a leste da Sierra Nevada, bem próximo do Vale da Morte
Já tinha ouvido falar dos campos de "concentração" que os japoneses-americanos ficaram confinados durante a guerra. Ao preparar minha viagem pelo Oeste Americano, em 2014, vi que ia passar ao lado de Manzanar (N 36.728309° W 118.146796°), um desses campos. Incluí imediatamente no roteiro e passei a ler mais sobre o assunto. É simplesmente estarrecedor!!!


Durante a viagem visitei o local, símbolo de uma das maiores vergonhas da democracia americana.
Torre de vigia do Centro de "Recolocação"
Para quem não conhece, Manzanar era um dos 10 campos de recolocação (eufemismo para não chamá-los de campos de concentração) onde foram aprisionados mais de 110000 imigrantes japoneses e seus descendentes, durante a Segunda Guerra Mundial. Dois terços deles eram cidadãos americanos de nascimento e a maioria dos demais, imigrantes que viviam nos EUA a mais de 3 décadas, só não tendo se nacionalizado americanos porque a legislação da época impedia.
Demarcação do Bloco de Alojamentos 22
Todos eles com direitos civis garantidos pela Constituição Americana, que afirma que ninguém pode estar preso sem acusação formada. Apesar deste direito estar garantido, mais de 110000 pessoas foram presas por mais de três anos pelo simples fato de terem origem japonesa e representarem um "perigo" em tempos de guerra. Nenhum deles foi sequer acusado de qualquer ato de traição, sabotagem ou espionagem, e muito menos julgados e condenados. Simplesmente encarcerados devido a sua origem japonesa.
Alojamento 1 do Bloco 14. Aí viviam 4 famílias, sem qualquer privacidade.
O louco de toda a história de Manzanar é a enoooorme discriminação que sustentou essa segregação. Brutal!

Para entrar nos campos de recolocação, eles tiveram que se desfazer de tudo em 48 horas. Só puderam levar o que puderam carregar. Na liberação, ganharam US$ 25 mais uma passagem para onde quisessem. Mas ir para onde, se haviam se desfeito de todos os seus bens
?! Isso sem considerar a enorme discriminação que iriam sofrer, já que eram “japoneses” e não americanos!
A discriminação contra os japoneses, mesmo antes da II Guerra Mundial, era muito grande
Em 1988 o governo americano deu, como indenização, US$ 20000 a cada sobrevivente desses campos, além de um pedido formal de desculpas pelo ocorrido. MUITO POUCO!


Em 2012 foi lançado o filme “The Manzanar Fishing Club” (clique aqui para ver o trailer), que concorreu ao Oscar de Melhor Documentário e relata a vida no campo de “recolocação” sob o ponto de vista dos que lá estiveram aprisionados. Mas vale também ver esse curto filme da PBS, “Manzanar, Never Again”! (clique aqui para ver o filme)
Calor infernal no verão, frio de matar no inverno e sempre com vento empoeirado. As condições de vida eram bastante precárias
O primeiro diretor do campo de Manzanar pediu demissão depois de meros três meses e disse ao seu substituto. "Aceite o cargo se conseguir dormir sabendo que milhares de inocentes estão encarcerados"!
Sepultura do pequeno Jerry Ogata. Note a rosa desidratada pelo calor e secura do deserto!
Manzanar é importante para os EUA, assim como para todo o mundo, por mostrar a fragilidade dos direitos civis, que apesar de serem garantidos na Constituição a todos os cidadãos americanos, de nada valeram em um tempo de guerra.


Memorial no cemitério do Manzanar War Relocation Center, California

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Antes de Partir II - Novos Sonhos



2014 acabou de esticar as canelinhas e 2015 está novinho em folha, pronto para ser vivido.

Não posso me queixar do ano que se foi. Fiz viagens incríveis: Inglaterra, Escócia, Noruega, República Dominicana, um cruzeiro pelo Caribe e uma viagem de carro de mais de 13000km, sozinho, pelo Oeste dos EUA. Como se não fosse suficiente, ainda fui ao Brasil, para matar saudades da família, amigos e além de fazer check-ups médicos para ter carta branca para correr o mundo sem preocupações.
Cadillac Ranch, na Rota 66
Consegui também realizar dois sonhos dourados: percorrer a Rota 66 e ver a aurora boreal. Se a Rota 66 foi uma baita decepção, a aurora boreal foi um dos maiores espetáculos que já vivenciei. Ainda hoje me emociono ao me lembrar da "dama da noite" dançando freneticamente em cima da minha cabeça.

Esses dois sonhos estavam relacionados em uma lista de 10, que publiquei neste blog sob o nome de "Antes de Partir". Uma lista nos moldes do filme de mesmo nome, estrelada por Jack Nicholson e Morgan Freeman (“The Bucket List” – clique aqui e veja o trailer). Um filme belíssimo. Se não viu, veja, pois realmente vale a pena!
Aurora boreal sobre Trollholmsund, Noruega
A grande diferença com relação à lista do filme é que a minha não irá diminuir NUNCA! Assim que um sonho for realizado, outro sonho tomará o seu lugar na lista. E, no dia que eu esticar as canelinhas, terei uma lista de 10 belos sonhos não alcançados... mas terei vivido muitos outros!

E tendo vivido dois desses sonhos da lista, está na hora de substituí-los por outros dois. Saem da lista Rota 66 e Aurora Boreal e entram Islândia e uma trilha no Himalaia. Estou também substituindo Antártica pelo parque nacional Denali, no Alasca. No presente momento, algo mais factível de se viver.

Sem nenhuma ordem de prioridade ou importância, aí vai a minha lista:

1.         Parque nacional Denali, Alasca
Denali é o Alasca,a última fronteira, no seu mais puro estado!
2.         Varanasi e Taj Mahal, na Índia
Taj Mahal, um belo exemplo de amor!
3.         Safári fotográfico na Cratera de Ngorongoro, na Tanzânia, África
Cratera de Ngorongoro, um lugar incrível para ver a vida africana
4.         Templo de Karnak e Abu Simbel, no Egito
Visitar o templo de Karnak é um dos meus sonhos dourados!
5.         Islândia
Islândia, terra do gelo e do fogo!
6.         Fazer uma trilha no Himalaia
Ver o Himalaia de perto deve ser algo grandioso!
7.         Mergulhar no naufrágio do Thistlegorm, em Ras Mohammed, no Mar Vermelho
Essa foto não está nenhuma maravilha mas o Thistlegorm é um sonho de todo mergulhador
8.         Templo Angkor Wat, no Cambodja
A visão de Angkor Wat me remete a um templo perdido nos tempos
9.         Bora Bora e Moorea, na Polinésia Francesa
Se o paraíso não for como Bora Bora, vou ficar decepcionado!!
10.      Fazer o Caminho de Santiago, na Espanha
Em breve serei mais um dos peregrinos!

Em um sonho muito louco que tive ano passado, alguém me dizia que “sonhos são estradas para serem vividas”! Esses aí são os meus sonhos dourados em termos de viagem. A minha “estrada para ser vivida” antes de partir!!! E tenha certeza de que buscarei vivenciá-los todos e intensamente! 

Se vou conseguir, isso é outra história!