sábado, 28 de fevereiro de 2015

China – Chegando a Tatooine



Adorei a China, mas a comunicação com os chineses não foi nada fácil!!!
Pequim, Xangai e Suzhou, no mapa da China
Manja aquela sensação de você ter sido abduzido por seres extraterrestres e acordado naquele bar de Tatooine, planeta do filme Guerra nas Estrelas? Pois é mais ou menos desse jeito que eu me senti quando tentei me comunicar com um chinês.

Eu não falo mandarim e eles (com raríssimas exceções) não falam inglês!
O belíssimo, moderno e gigantesco Aeroporto Internacional de Pequim
Ying txan ding fong xen tsin huan!

Entendeu? Não?!! Pois é, nem eu!!! Segundo o meu irmão, mais parece bala ricocheteando em barris de metal!!! KKKKKKKK
Restaurante em Pequim. Pratos saborosos e comunicação ZEEEEERO!!!
Por lá, todo restaurante tem cardápio com fotografias, mas isso não ajuda muito. Afinal, não vai ser mostrando a foto de um prato de vatapá que um gringo vai entender o que é, concorda?!

E é aí que começa o drama. Você aponta para uma foto e pergunta: “what is this? Podia ser em português, grego, javanês ou swahili que não ia fazer a menor diferença.
Delicioso prato de OINC, OINC, OINC!!!
O garçom faz cara de heimmm e responde: “meng tsin xuan tong”! Aí quem faz cara de heimmm sou eu!!!

Viro para ele e pergunto: “muuuuu, cocoricó or oinc oinc”!!! Ele faz cara de heimmm e... E por aí vai!
video
Tá duvidando? Então clique no vídeo aí acima e veja como é isso com os seus próprios olhos! É simplesmente hilário!!!

Nas ruas o tráfego é caótico. Ninguém tem o menor respeito pelas mais básicas regras de trânsito. Uma zorra completa!!!
Congestionamento é o que não falta em Pequim
Abre o sinal e aí vem carro de tudo quanto é lado. É carro fechando o tráfego para dobrar na rua perpendicular, ou entrando na contramão para ultrapassar o carro que está à frente, etc. Some a isso uma boa quantidade de pedestres, bicicletas e motonetas e você terá uma leve dimensão dos sustos que passamos.

Ah, antes que eu me esqueça, não vi uma única batida e buzinadas são raríssimas!!!
Zorra completa... com zero de buzinas e de acidentes!
Fila é um conceito que ainda não foi introduzido por aquelas bandas e o chinês tem certa dificuldade para entender como funciona. Não estranhe se você for empurrado ou sentir um bafo no cangote. Respire fundo e aceite. Faz parte da cultura deles!

Quando você pergunta à guia sobre esses tipos de zorras, a resposta vai ser: TIC! Ou seja: “This Is China”!!! Algo parecido com o nosso conhecidíssimo “sorria, você está na Bahia”!!!
Eu e a Mary na Cidade Proibida, Pequim
E para terminar, vou pedir um favor a você. Deem uma checada na conta abaixo e me ajudem a saber se está correta, antes de eu pagar!!!

Mais fácil se fosse em braile, concorda?!!
Checou a conta?!!! Posso pagar?!
Pano rapidíssimo! Fui!!!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Aventura - A trilha do Salto de Itiquira


Veja também os outros posts da série “Aventura”: "Um zumbi na Trilha do Indaiá (Salto do Itiquira)", "As cavernas do PETER" e "Lapa do Angélica"

O meu post sobre a trilha do Salto de Itiquira tem despertado muito interesse e diversas pessoas já entraram em contato comigo para saber maiores detalhes.

Confesso que não sou especialista em trilhas e nem tenho muito conhecimento sobre a trilha do Salto de Itiquira. Fui acompanhando meu irmão, que já fez essa trilha um buzilhão de vezes.
O Salto de Itiquira
Outro dia mais um leitor do blog me pediu mais informações e meu irmão preparou um detalhamento que achei espetacular. Vou reproduzir aqui para quem se interessar em fazer essa trilha!

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Por José Roberto Moreira

A trilha do Salto de Itiquira é muito gostosa e bonita. Faço desde 1974. Na época ela era muito mais selvagem e bonita. Acampei algumas vezes por lá. Fiz a trilha até a cachoeira tanto por baixo como por cima. Na época não se pagava.

Fiz alguns mapas para ficar mais fácil de compreender o caminho:

Mapa 1 - siga a estrada que vai de Brasília para a Chapada dos Veadeiros (BR 010). O ponto 1 do mapa é a saída do DF. O ponto 2 é a saída da estrada que vai para a Chapada, pegando uma estrada asfaltada que vai para Formosa (GO-430). O ponto 3 é a saída para uma estrada de terra.
Mapa 1
Uma curiosidade: no ponto X deste mapa está localizado o divisor de águas das três grandes bacias brasileiras - Tocantins, Paraná e São Francisco. Só existe um lugar no Brasil onde essas três bacias fazem divisa e é onde está marcado no mapa.

Mapa 2 - mostra em detalhe a saída da estrada que vai para a Chapada dos Veadeiros (ponto 1), a entrada na estrada de terra (ponto 2) e um entroncamento à esquerda na estrada de terra (ponto 3).
Mapa 2
Mapa 3 - mostra o entroncamento a esquerda na estrada de terra (ponto 1) e a estrada até a entrada de Itiquira (ponto 2). Aí tem uma guarita cobrando a entrada e mais adiante um estacionamento.
Mapa 3
Mapa 4 - mostra em detalhe a chegada à entrada da trilha do Salto de Itiquira. O ponto 1 é onde fica a guarita de cobrança de entrada. O ponto 2 é o estacionamento onde começa a caminhada.
Mapa4
Nesta caminhada (mostrada em verde) ainda estamos no topo da serra e o ponto 3 é onde tem a descida para o rio. Neste ponto tem uma cachoeira muito bonita, mas é onde fica a "farofada".
Cachoeira da "farofada"
Mapa 5 - em verde é mostrado todo o percurso da caminhada. No ponto 1 é onde tem a descida para o rio, a cachoeira bonita e a "farofada". Aí acontece a primeira travessia do rio, para a margem esquerda.
Mapa5
No ponto 2 tem uma cachoeira grande e muito bonita. É possível ir até o pé da cachoeira contornando por baixo, pela margem esquerda do rio (é só seguir a trilha). Muita gente faz rapel nesta cachoeira (e já aconteceram algumas mortes!).
Cachoeira do Ponto 2
O ponto 3 é onde tem um poço gostoso onde sempre tomamos banho. Aqui acontece a segunda travessia do rio, para a margem direita. No ponto 4 é onde está a queda de Itiquira. Chega-se por cima. É possível contornar o morro a direita e avistá-la de frente (que não está mostrado no mapa).
Poço do Ponto 3
A trilha tem em torno de 4km de ida e mais 4km de volta. Se fizer o contorno para avistar a queda de Itiquira deve-se andar mais uns 1200m (600m para ir e 600m para voltar). O caminho é de descida na ida e de subida na volta. Leve água e comida para passar o dia (mas traga o lixo de volta!). Também leve roupa leve, boné, roupa de banho e calçado apropriado para caminhadas. É uma trilha excelente! Desfrute seu passeio.

Boa sorte!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Preconceito - Só falta quererem ser iguais!

Veja também os outros posts da série "Preconceito": "Somos todos preconceituosos". "C'est porc monsieur!" e "Aceitação e tolerância não são sinônimas"


Na década de 60 eu morei por oito meses em Pensacola, Flórida, enquanto meu irmão fazia um curso de pilotagem de helicópteros na base aeronaval.

Pensacola é a cidade mais a oeste da Flórida, na fronteira com Mississipi e Alabama. Em 1967 a luta pelos direitos civis dos negros estava em plena ebulição, mas o racismo era muito forte naquela região.
Manifestante da organização racista americana Ku Klux Klan
Lembro-me de meu irmão comentar ter ouvido de um oficial da marinha americana, ao conversar sobre a luta dos negros pelos seus direitos:

 – Não sei mais o que eles querem. Eles têm escolas só para eles, praias só para eles, rádio só para eles... Só falta quererem ser iguais!
Manifestação contra a integração de negros em escolas brancas
É, pensando dessa forma, fica realmente difícil entender toda a profundidade daquele movimento que tinha em Martin Luther King um dos seus expoentes máximos. E eu estava lá quando ele foi assassinado.
Bebedouro para brancos e negros
Junto com a comoção nacional de brancos e negros, também era comum ouvir que Luther King havia colhido o que tinha semeado. Isso eu ouvi de um professor na minha escola. Mal sabiam eles que as sementes que ele havia lançado mudariam para sempre os EUA e o mundo.
Martin Luther King, um ícone na luta pelos direitos dos negros
Por outro lado, a revolta pela morte de Luther King foi o estopim para que se tocasse fogo em um barril de pólvora, que era a revolta do negro contra a opressão do branco. Motins, quebra-quebras, saques e incêndios pipocaram por todo o país.
A morte de Martin Luther King foi o estopim para um grande número de distúrbios de rua
Visitamos Washington uma semana após o início dos distúrbios, mas ainda me lembro de ouvir, com muita frequência, as sirenes dos carros de bombeiros, de ver as tropas da Guarda Nacional patrulhando ostensivamente a cidade e de ver muitos, mas MUITOS quarteirões arrasados pelos incêndios causados pelos distúrbios de rua.
Nos ônibus, os lugares do fundo eram reservados aos negros. Mas tinham que ceder seus lugares caso faltasse assento para um branco
Mas se o preconceito e a discriminação contra as minorias são profundamente condenáveis, o reverso da medalha é passível das mesmas críticas e reprovações. Na minha forma de ver, não será com atitudes agressivas do tipo “vocês vão ter que me engolir”, que homossexuais, negros e outros grupos discriminados conquistarão simpatia e aceitação.
Racismo é racismo, não há diferença!